segunda-feira, 2 de abril de 2012

Depressão: Sintomas


A depressão é um transtorno psiquiátrico muito comum e também ainda pouco compreendido, tanto pelos pacientes quanto por seus familiares. 

A chance de ter depressão ao longo da vida é de aproximadamente 15%. O risco é duas a três vezes maior para as mulheres do que para os homens.

As crises depressivas podem iniciar em qualquer momento da vida, desde a infância até a terceira idade. 


Quais são os sintomas da depressão?

O paciente começa a se sentir triste e vazio, pode chorar muito, perde o interesse e o prazer que sentia por suas atividades diárias, mesmo aquelas que mais gostava. Esta perda de interesse pelas atividades é frequentemente confundida com preguiça, o que pode gerar conflitos com quem convive com o paciente. A pessoa se sente agoniada e sem esperanças, é uma tristeza diferente das outras que sentiu antes. A maioria (90%) tem muita ansiedade. Muitos ficam irritados.

O apetite muda (aumenta ou diminui) e o peso também (conforme a mudança do apetite, para mais ou para menos).

O sono é um dos primeiros a mudar e 80% dos pacientes sofrem com alterações do mesmo. A pessoa não dorme direito, acorda várias vezes de madrugada e fica pensando nos problemas, acorda mais cedo do que o normal e passa o dia todo cansada, sem energia pra nada. Chega a noite, o ciclo recomeça, sem conseguir pegar no sono outra vez. Alguns pacientes se queixam de dormir demais, mas também permanecem muito cansados. 

A pessoa fica perceptivelmente mais lenta. Os familiares se queixam que o paciente demora para responder, fazer as coisas, se distrai, fica indeciso. O paciente não consegue se concentrar como antes, fica esquecido. O esquecimento é uma queixa muito comum – compromissos, onde colocou as chaves, ir e voltar no mesmo lugar várias vezes e não lembrar o que foi fazer, ler e esquecer o que acabou de ler, entre outros exemplos. 

É muito comum o sentimento de culpa. Muitos acham que são um peso para a família, acreditam estar incomodando, culpam-se por atos do passado, por se sentirem inúteis. 

Até dois terços dos pacientes têm pensamentos sobre suicídio e entre 10 a 15% o cometem. Ao contrário do que muitos acreditam, as pessoas que já tentaram suicídio têm um risco maior de morrerem por suicídio no futuro. 


Nos próximos artigos desta série sobre depressão, vou falar sobre causas e tratamentos da mesma. Entretanto, gostaria de ressaltar desde já que esta é um transtorno psiquiátrico grave, devendo receber tratamento adequado o mais cedo possível.

Segunda parte: Depressão: Causas e Recaídas
Terceira parte: Depressão: Diagnóstico e Tratamento

7 comentários:

  1. Parabéns Vivian, pelo blog e pela profissão! Quanto tempo não nos vemos né? bjs

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    1. oi, Letícia!
      É verdade, passa muito rápido!
      Obrigada. Que bom que você gostou. Se tiver alguma sugestão de algo que tenha curiosidade ou dúvidas na psiquiatria, me conte. Quero escrever sobre o que as pessoas têm mais interesse.
      beijos

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  2. janete faustino de oliveira4 de setembro de 2013 01:39

    dr vivian vi seu blog e nossa e tudo que tou passando eu amava dançar tinha um vomtade de viver amava tudo hoj tenho 35 anos acho que sou um fracasso como mae fico com receio de por limite e quando tento por limites eu choro com as palavras deles e nao tenho vontade de nada em casa eu nao durmo mais saio da cama nao gosto de ver gente gosto de ficar sisinha e sofro com medo de perder um emte da familia nao posso ver noticia eu sofro junto com os pais da pessoa eque pior a vida doi paresse que viver e uma tortura fico sempre pensando nos meus filhos se eu morrer paresse que tou preparando ele para que eu possa morrer eu nao fiz nada ainda porque deus deu um anjo que tem 3 anos que beijo ela como se fosse o ultimo dia nao tenho sonho nem esperança so quero ficar escondida das pessoas a vida ficou sem graça e eu sei que nao posso pensar assim eu tenho meus filho mais so deus para mi libertar .......

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    1. Tenho 30 e me trato de depressão a um pouco mais de um ano. Hoje já me sinto melhor, mas não segura ainda pra dizer que estou 100%. Procuro sempre me policiar. Praticar o autoconhecimento para identificar seja uma recaída ou o progresso. Queria que a mãe que postou aí em cima tivesse a oportunidade de ler.
      Pois posso dizer que tudo o que sente passa sim. Mas primeiramente é preciso dar um passo fundamental para nossa melhora, que é o tratamento. O psiquiatra para pacientes como nós são verdadeiros anjos, e poder contar com a assistência de um, é fator decisivo pra que sejamos medicados e melhoremos. Senti tudo que essa mãe relatou, outras coisas também como pensamento suicida constante. Hoje posso olhar pra mim é pro meu retorno à mim mesmo e dizer que é possível sim o retorno da vida prazerosa, sonhos, alegrias. Passei por vários tipos de medicamentos até consegui estabilizar com uma combinação que chamo de quarteto fantástico, neural, frontal, seroquel e velha. Não foi da noite para o dia, sofri com efeitos colaterais, sofri demais, a única coisa que me restou no meio das minhas crises foi a vontade de ficar boa, e me agarrei a ela, pra hoje ter 3 meses de estabilidade que eu já havia me esquecido como era. Então o que gostaria de dizer do fundo do coração é que sim, tudo isso passa! Mas procure ajuda, psiquiátrica e espiritual. Tenha paciência, persistência e não esqueça de quem vc é, mesmo que seja difícil no meio desse desconforto sem fim. Procure ajuda e volte para si!

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  3. Isso passa? Esses sentimentos passam? Essa vontade de sumir, de morrer, essa agonia, quero dormi e não acorda mais nem dormi direito eu consigo. Isso passa? Eu só quero ser normal.

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    1. Olá,

      O primeiro passo é procurar ajuda. Se você ainda não está em tratamento, você pode falar com seu clínico geral, pediatra, ginecologista, enfim, qualquer médico que já te acompanhe e solicitar orientação, como a indicação de um psiquiatra.

      Se você já está em tratamento, converse com o profissional que está te atendendo e explique como se sente, se teve alguma melhora, se piorou. Assim, ele poderá te ajudar a encontrar o melhor tratamento para o seu caso.

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  4. Minha medicação era clonazepan.

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