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terça-feira, 10 de julho de 2012

Transtorno Bipolar

                Hoje vou falar sobre um transtorno psiquiátrico que vem ganhando cada vez mais atenção, mas muitas vezes de forma equivocada. Espero que este artigo ajude a compreender melhor o que é o Transtorno Bipolar. 

                A chance de desenvolver Transtorno Bipolar ao longo da vida é de 1% e não há diferença entre homens e mulheres. O risco é bem menor do que para a Depressão (15%).


O que é Mania?
                Para entender o que é o Transtorno Bipolar (TB), primeiro é preciso conhecer o quadro chamado de Mania. Um episódio maníaco é praticamente o contrário de um episódio depressivo.

O paciente fica com o humor muito elevado, eufórico, incomumente bom, às vezes alternando com irritação excessiva – isto é percebido claramente por quem conhece o indivíduo, embora ele ache que está ótimo. A auto-estima também fica aumentada, levando a pessoa a fazer coisas que normalmente não faria, como escrever livros sobre assuntos que não domina ou conversar longamente com estranhos na rua.

O sono diminui muito e a energia aumenta, assim como a vontade de falar e a velocidade da fala, muitos dizem que os pensamentos correm. A maioria se envolve em diversas atividades, muitas vezes perigosas, por deixar de pensar nos riscos. Costuma haver um aumento da sociabilidade, da sexualidade, das compras (mesmo sem dinheiro para pagar), direção imprudente e vários outros comportamentos incomuns para a pessoa.

                Podem ocorrer sintomas psicóticos, como delírios de grandeza – por exemplo: crença de que é o presidente. Esta perda da realidade reverte totalmente com a melhora dos demais sintomas.

                Em um episódio maníaco, há um prejuízo muito importante nas atividades normais do indivíduo, sendo necessário afastamento das mesmas e, muitas vezes, internação hospitalar.

                O episódio Hipomaníaco é uma forma mais leve de mania, em que não ocorre tanto prejuízo para as atividades habituais do indivíduo.

                O episódio Misto é aquele em que ocorrem os sintomas de Mania e de Depressão juntos.       


O que é Transtorno Bipolar (TB)?
                O TB tipo I é aquele em que ocorrem um ou mais episódios Maníacos ou Mistos. É muito comum que também tenham ocorrido um ou mais episódios Depressivos (80-90% dos pacientes). 

                O TB tipo II é aquele em que ocorrem um ou mais episódios Depressivos e pelo menos um episódio Hipomaníaco.


O que causa o TB?
                Estudos genéticos feitos até o momento sugerem que parentes em primeiro grau de portadores do TB têm um risco quase 10 (dez) vezes maior do que a população geral de apresentar o transtorno. 

                Além da influência genética, estudam-se alterações na estrutura cerebral, nos neutransmissores (comunicação entre os neurônios), em processos inflamatórios do organismo e em fatores de estresse.


Como é feito o tratamento?
                Há diversos medicamentos disponíveis para o tratamento do Transtorno Bipolar. Todos buscam a estabilidade do humor: quando não se está nem deprimido, nem em mania ou hipomania. 


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Dia Mundial Sem Tabaco – 31 de Maio


O Dia Mundial Sem Tabaco foi criado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e ocorre todos os anos, no dia 31 de maio. Este ano, o tema é a influência da indústria do tabaco na saúde pública.

No Brasil, em 14 de março de 2012, após mais de um ano de discussões com a indústria do tabaco, a Agência Nacional de Vigilância em Saúde (ANVISA) proibiu a adição de aromatizantes nos cigarros. 

Aproximadamente 20% das pessoas vão se tornar dependentes da nicotina em algum momento de suas vidas, sendo este o transtorno psiquiátrico mais comum. Espero que este texto possa trazer mais informações sobre este transtorno e seu tratamento.


O tabagismo em números
Segundo a OMS, 22% da população mundial com mais de 15 anos de idade - aproximadamente 1 bilhão e 500 milhões de indivíduos - são fumantes. Além disso, ocorre um total de 5 milhões de mortes por ano (10 mil mortes por dia) por uso de tabaco ou exposição à sua fumaça.

O tabagismo é um transtorno que inicia na adolescência: 90% dos adultos dependentes de nicotina começaram a fumar antes dos 18 anos e 99% deles, antes dos 26 anos de idade. 

No Brasil, mais de 17 mil estudantes de 13 a 15 anos foram entrevistados. Mais de 30% deles já fumaram. A preferência por cigarros com sabor é de até 58%.

Devido ao início do tabagismo na adolescência eà presença do aromatizante como facilitador do uso, foi feita a proibição da ANVISA para cigarros com sabor em nosso país.

Em torno de 80% dos fumantes desejam parar, sendo que 5% conseguem sem qualquer ajuda e este número aumenta para 35% quando recebem auxílio. Menos de 25% dos indivíduos conseguem parar na primeira tentativa. A maioria tenta de 5 a 10 vezes até que 50% dos fumantes conseguem parar definitivamente.


Riscos do uso
O cigarro é a primeira causa de mortes evitáveis no mundo. Ele está direta ou indiretamente relacionado a diversos tipos de doenças.

- Câncer: 90% dos casos de câncer de pulmão ocorrem em fumantes; também câncer na boca, esôfago, rins, bexiga, pâncreas

- Problemas cardíacos e de vasos sanguíneos: infarto, coágulos para pulmão e pernas, derrame cerebral, pressão alta, problemas de ereção

- Enfisema, bronquite, asma

-Abortos, bebês com baixo peso, infertilidade

- Diversos prejuízos para a saúde de quem fica exposto à fumaça do seu cigarro
-E outros, como dificuldade para cicatrização


Benefícios de parar de fumar
- 20 minutos: pressão e batimentos cardíacos voltam ao normal

- 8 horas: nível de oxigênio do sangue volta ao normal

- 24 horas: risco de morte súbita diminui

- 48 horas: olfato e paladar começam a retornar

- 2 semanas a 3 meses: menos falta de ar, melhora da cicatrização

- 1 ano: reduz pela metade o risco de infarto

- 10 anos: reduz o risco de câncer


Como parar
A maioria dos fumantes têm medo de se sentir mal (abstinência), de perder as sensações agradáveis que têm com o cigarro e de engordar. Há diversas formas de aliviar estes sintomas desagradáveis com orientação adequada. 

Nosso país dispõe de um programa nos postos de saúde para ajudar as pessoas a parar de fumar. Um profissional habilitado também pode ser consultado na rede particular. 

O importante é informar-se, esclarecer todas as dúvidas. Muitos casos de falha em parar ocorrem por falta de orientação.

sábado, 28 de abril de 2012

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

                No artigo anterior, falei sobre a ansiedade como experiência normal de todos os seres humanos. Agora, vou escrever sobre a ansiedade que se torna uma patologia, aquela ansiedade que passou do normal e começou a prejudicar suas vidas. 

A chance de uma pessoa desenvolver  Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) ao longo da vida é de aproximadamente 5%, bastante alta. Entretanto, estima-se que apenas um terço dos indivíduos que sofrem de TAG procuram o psiquiatra para tratamento.


                O que é TAG?
No TAG, a ansiedade é persistente, excessiva, relacionada a vários aspectos da vida (trabalho, família, vida social), ocorre quase todos dias e afeta a vida da pessoa de forma negativa. Apesar de sentir que a ansiedade é excessiva, exagerada para a situação que a provoca, o indivíduo a descreve como difícil de controlar.

A preocupação, em geral, vem em forma de uma apreensão ou sensação constante de que algo negativo ou “o pior” vai acontecer. As situações comuns do dia-a-dia são quase todas vividas dessa forma. Se alguma coisa pode dar errado ou certo, “vai dar errado”. A pessoa se sente ansiosa porque os amigos vêm à noite jantar, quando vai fazer um exame médico, se o filho sai de carro, enfim, é constante a preocupação.

Junto com a ansiedade, há sintomas físicos, que podem variar ao longo do tempo: tremores, tensão muscular, cansaço, dor de cabeça, palpitações, suores, tonturas, ondas de frio ou calor, falta de ar, irritação, insônia, dificuldade para se concentrar, “brancos” na mente, alterações gastrointestinais (como diarréia).

Por causa desses sintomas físicos, a maioria dos pacientes procura clínicos gerais, cardiologistas, gastroenterologistas e outras especialidades médicas em vez do psiquiatra para o tratamento.

Os primeiros sintomas do TAG geralmente surgem no final da adolescência ou início da vida adulta, podendo se tornar crônicos.  É muito comum os pacientes dizerem “sempre fui assim”, por já nem lembrarem de uma época em que não eram ansiosos.


Quais os riscos de ter TAG?
Quando uma pessoa tem TAG, o risco de ter algum outro transtorno psiquiátrico é de 50 a 90%. É muito frequente os pacientes com TAG só chegarem ao consultório depois que desenvolveram depressão ou pânico, por exemplo.

Além do pânico e da depressão, há um risco elevado de desenvolver abuso ou dependência de álcool e drogas (por exemplo, o paciente que bebe para aliviar a ansiedade).

A presença do TAG também parece aumentar o risco de desenvolver problemas cardíacos, gastrointestinais, endocrinológicos (como diabetes), pulmonares e dores crônicas.


O que causa o TAG?
Não há uma única causa definida para o TAG. Vários fatores associam-se para o desenvolvimento do transtorno. Acredita-se que um conjunto de: traços de personalidade e temperamento (indivíduos com uma predisposição mais ansiosa), alterações em neurotransmissores cerebrais, fatores genéticos e situações de vida.


Existe tratamento?
Atualmente, o tratamento indicado para o TAG é uma combinação de medicação e alguma forma de psicoterapia (há vários tipos).

O tempo de tratamento varia para cada paciente, por isso deve ser feito um acompanhamento adequado, tanto com o psiquiatra quanto com o psicólogo (terapia).



Neste artigo, abordei um transtorno psiquiátrico que, apesar de afetar muito a qualidade de vida das pessoas, ainda recebe pouca atenção e tratamento. O sintomas do TAG - tanto físicos quanto psíquicos - são tratáveis desde que sejam diagnosticados corretamente.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Depressão

Para iniciar este blog, escrevi uma série sobre Depressão. Os artigos abordam dúvidas que surgem com frequência no consultório: quais são os sintomas, o que está provocando a depressão, como tratá-la, quais as chances de ela voltar, entre outros.

Espero que estes artigos possam esclarecer algumas dessas questões. Se outras ficaram em aberto ou novas perguntas surgirem durante a leitura, fico à disposição para responder.

Aqui estão os links:
Primeira parte - Depressão: Sintomas
Segunda parte - Depressão: Causas e Recaídas
Terceira parte - Depressão: Diagnóstico e Tratamento

Depressão: Diagnóstico e Tratamento



Há alguma outra coisa que pode se parecer com a depressão?

Sim. 

Doenças do organismo, que não são da mente, podem se manifestar como um quadro de depressão. Às vezes elas ocorrem juntas e as doenças do organismo agravam a depressão; o contrário também pode acontecer. 

Uso de certos medicamentos pode provocar depressão.

Outros problemas psiquiátricos podem parecer um quadro depressivo ou iniciar como tal (por exemplo, a bipolaridade).


                Se for diagnosticada a depressão, qual vai ser o tratamento?

                Os principais tipos de tratamento para a depressão são os medicamentos e as psicoterapias (estas não serão abordadas neste artigo). Somente o seu médico pode determinar qual é o tratamento mais adequado para você.

                O tratamento medicamentoso é indicado para a maior parte dos casos de depressão corretamente diagnosticada. Tanto os sintomas psicológicos quanto os biológicos da depressão melhoram com o uso correto das medicações. Como já falamos, uma vez iniciado o processo depressivo, apenas o tratamento adequado vai revertê-lo da melhor forma possível.

                A escolha do antidepressivo correto vai depender de vários fatores, como por exemplo: outras doenças que você tenha, alterações do sono, alterações do apetite, medicamentos que faça uso contínuo. 

                É importante saber que todo antidepressivo leva mais ou menos duas semanas para começar a funcionar. Nessas primeiras duas semanas, você pode sentir efeitos colaterais, que vão variar conforme o medicamento. Eles costumam ser leves e melhorar logo. Caso sejam fortes ou continuem depois destas duas semanas, converse com o seu médico para mais orientações, não interrompa o tratamento por conta própria. 

                A partir dessas duas semanas iniciais, você vai melhorar aos poucos, até voltar ao normal. O seu médico e sua família vão lhe ajudar nessa fase, para saber o que melhorou, quanto melhorou, quanto ainda falta para voltar a como era antes.

                Podem ser necessários ajustes na dose da sua medicação ou, até mesmo, troca por outro remédio se ele não fizer efeito. Isto é normal. O importante é que você sempre informe ao seu psiquiatra se não estiver sentindo melhora ou se algum efeito do remédio estiver lhe incomodando, para que ele possa lhe ajudar.

               
Por quanto tempo tenho que tomar a medicação?

Isto é variável. Primeiro, você e seu médico farão todos os ajustes de medicação necessários para que você fique bem novamente, como antes da depressão. 

Depois disso, seu médico vai lhe orientar de acordo com alguns fatores, como: se foi a primeira vez que você ficou deprimido ou se já teve depressão outras vezes (quantas?), se teve recaídas durante o tratamento, quanto tempo durou sua última depressão, entre outros.


Neste artigo, procurei explicar melhor algumas condições que devem ser diferenciadas da depressão para que seja feito o diagnóstico correto.  Seguindo o diagnóstico, o fundamental é tratar a depressão corretamente, prevenindo as graves consequências para a saúde e a vida da pessoa causadas por este transtorno.

Para compreender melhor, você pode ler os artigos anteriores desta série:
Primeira parte: Depressão: Sintomas
Segunda parte: Depressão: Causas e Recaídas